Terapias de Infusão Dopaminérgica na Doença de Parkinson: Dados de Vida Real de um Centro Português / Dopaminergic Infusion Therapies in Parkinson’s Disease: Real-World Data from a Portuguese Center
Terapias de Infusão Dopaminérgica na Doença de Parkinson: Dados de Vida Real de um Centro Português / Dopaminergic Infusion Therapies in Parkinson’s Disease: Real-World Data from a Portuguese Center
Where did the research take place?
The study site has not been established. Author addresses may differ from where the research occurred.
A plain-language reading has not been prepared for this paper yet.
Original abstract
Introdução: A levodopa continua a ser a terapêutica mais eficaz na doença de Parkinson (DP). Com a progressão da doença e disautonomia, a absorção e resposta aos tratamentos orais ficam comprometidas. Nestas fases, as terapias de infusão continua podem substituir ou complementar as terapêuticas orais, permitindo um controlo mais estável dos sintomas. Métodos: Estudo observacional retrospetivo que incluiu doentes com DP submetidos a terapias de infusão num hospital terciário no norte de Portugal entre janeiro de 2022 e março de 2025. Recolheram-se dados demográficos e foram aplicadas as escalas: Unified Parkinson’s Disease Rating Scale (UPDRS) parte III e parte IV; Non-Motor Symptoms Scale (NMSS); Parkinson’s Disease Questionnaire (PDQ-39); Parkinson’s Disease Sleep Scale-2 (PDSS-2); Mini Mental State Examination (MMSE); Hoehn and Yahr scale e Patient Global Impression of Change (PGIC). Analisaram-se também as reações adversas. Resultados: Foram identificados 25 doentes, maioritariamente do sexo masculino (71,4%), com mediana de idade de 76 anos (AIQ 14). Apresentavam duração média de doença de 13,6 ± 5,3 anos e flutuações motoras há 6,7 ± 3,0 anos. Catorze doentes encontravam-se sob tratamento com foslevodopa/foscarbidopa subcutânea (FCFLsc); oito sob levodopa/carbidopa gel intestinal (LCGI) e três sob apomorfina subcutânea (ASC). Verificou-se uma redução da pontuação média da UPDRS III (de 61,1 para 47,8; p<0,001) e UPDRS IV (8,9 para 6,1; p=0,001) na amostra total, com maior impacto no subgrupo FLFCsc, no qual também se objetivou melhoria dos sintomas não motores (NMSS, p=0,046) e qualidade do sono (PDSS-2, p=0,002). Foram reportadas reações adversas em 80% dos doentes, sobretudo relacionadas com o local de infusão. Conclusão: As terapias de infusão mostraram-se eficazes na melhoria dos sintomas motores, não motores e complicações motoras. Os dados relativos à bomba de FLFCsc, disponível em Portugal desde 2024, oferecem informações relevantes de vida real, suportando a sua eficácia e segurança tanto no controlo dos sintomas motores como não motores, incluindo a qualidade do sono.