Retrovírus endógenos humanos: influência na neuroinflamação e neurodegeneração
Retrovírus endógenos humanos: influência na neuroinflamação e neurodegeneração
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INTRODUÇÃO: Os retrovírus endógenos humanos (HERVs) são elementos genéticos que se originaram de infecções virais antigas e foram incorporados ao genoma humano ao longo da evolução. Eles pertencem ao grupo dos retrotransposons e representam cerca de 8% do genoma humano, sendo capazes de modular processos biológicos essenciais. A ativação desses retroelementos tem sido associada à neurodegeneração, influenciando mecanismos neuroinflamatórios e imunológicos de diferentes doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla (EM), esclerose lateral amiotrófica (ELA) e doença de Alzheimer (DA). OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo investigar o papel dos HERVs na fisiopatologia das doenças neurodegenerativas, analisando seus mecanismos de ativação e impactos biológicos. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão de literatura conduzida conforme as diretrizes do PRISMA. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed Central e BVS, utilizando os DeCS/MeSH: “Endogenous Retroviruses”, “Neurodegenerative”, “Diseases” e “Retrotransposons”, combinados pelo operador booleano AND. Inicialmente, foram identificados 45 artigos, dos quais 24 foram excluídos após análise do título e resumo. Em seguida, os 23 artigos selecionados foram avaliados na íntegra, resultando na inclusão de 15 estudos para esta revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Os HERVs desempenham um papel na neurodegeneração, neuroinflamação e imunorregulação. Na esclerose múltipla, a ativação do HERV-W/MSRVenv está associada à fisiopatologia da doença e pode ser estimulada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), enquanto a terapia com GNbAC1 mostrou eficácia na redução da atrofia cerebral. Os HERVs também ativam vias inflamatórias, como TLR4/CD14, resultando na produção de citocinas e na intensificação da inflamação focal. Na esclerose lateral amiotrófica, o HERV-Kenv está ligado à neurotoxicidade e morte neuronal, e a terapia antirretroviral demonstrou benefícios em pacientes HIV positivos. Esse retrovírus também interage com a proteína TDP-43, presente na maioria dos casos de esclerose lateral amiotrófica e demência frontotemporal. Na doença de Alzheimer DA, os HERVs facilitam a propagação de agregados de Tau e amplificam a resposta inflamatória. Além disso, os HERVs foram associados à neuroinflamação e disfunção neuronal na doença de Parkinson e na neuroAIDS. CONCLUSÃO: Os HERVs estão implicados na neurodegeneração e em processos neuroinflamatórios, com associação a doenças como esclerose múltipla, ELA, Alzheimer, Parkinson e neuroAIDS. Apesar dos avanços científicos, ainda há lacunas sobre sua ativação e papel causal. Modelos experimentais e terapias emergentes podem oferecer novas abordagens, mas mais estudos são necessários.