Entre Sinapses e Políticas: Caminhos para o Cuidado Neurológico no Brasil no Enfrentamento da Doença de Parkinson e das Demências
Entre Sinapses e Políticas: Caminhos para o Cuidado Neurológico no Brasil no Enfrentamento da Doença de Parkinson e das Demências
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Original abstract
Introdução: as doenças neurodegenerativas, especialmente a Doença de Parkinson (DP) e as demências associadas, configuram significativo desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS), em razão do envelhecimento populacional e da elevada carga de incapacidades que acarretam. Aproximadamente 30% dos indivíduos com DP evoluem para demência, agravando o comprometimento funcional e intensificando a demanda assistencial. Até recentemente, o SUS não dispunha de tratamento farmacológico específico para essa condição, evidenciando lacuna terapêutica relevante e necessidade de incorporar tecnologias eficazes e custo-efetivas. Objetivo: analisar a incorporação da rivastigmina ao SUS para o tratamento da demência associada à DP, avaliando sua eficácia clínica, segurança, custo-efetividade e repercussões para as políticas públicas de atenção neurológica. Metodologia: trata-se de estudo analítico-descritivo baseado no Relatório de Recomendação n.º 902/2024 da CONITEC e em artigos científicos indexados em bases como SciELO e Google Acadêmico. Foram sistematizadas informações referentes aos aspectos clínicos e epidemiológicos da DP, evidências de eficácia e segurança da rivastigmina, análise econômica, impacto orçamentário e diretrizes terapêuticas vigentes. Análise e discussão dos resultados: o relatório identificou melhora cognitiva modesta, porém estatisticamente significativa, com rivastigmina: +0,8 ponto no MEEM e redução de 2,1 pontos no ADAS-Cog, em contraste com pioras observadas no grupo placebo. A avaliação clínica global (ADCS-CGIC) mostrou melhora em 40,8% dos pacientes tratados, versus 29,7% com placebo. Embora a ocorrência de eventos adversos tenha sido maior no grupo medicado, o perfil de segurança foi considerado aceitável. A análise de custo-efetividade demonstrou relação favorável, apesar do impacto orçamentário estimado para os anos subsequentes. A recomendação final da CONITEC foi unânime e amplamente apoiada pela consulta pública. Considerações finais: a incorporação da rivastigmina representa avanço significativo no cuidado de pessoas com DP e demência, preenchendo lacuna histórica no SUS. Contudo, sua efetividade plena depende do fortalecimento das redes de atenção, expansão de serviços especializados, ações de reabilitação e monitoramento contínuo. Políticas públicas robustas e intersetoriais são essenciais para garantir cuidado integral e equitativo diante da crescente prevalência das doenças neurodegenerativas no Brasil.