INTERAÇÕES ENTRE NEUROINFLAMAÇÃO E METABOLISMO MITOCONDRIAL NA DOENÇA DE PARKINSON: IMPLICAÇÕES PARA ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS INOVADORAS
INTERAÇÕES ENTRE NEUROINFLAMAÇÃO E METABOLISMO MITOCONDRIAL NA DOENÇA DE PARKINSON: IMPLICAÇÕES PARA ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS INOVADORAS
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Original abstract
A doença de Parkinson é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva cuja fisiopatologia ultrapassa a perda de neurônios dopaminérgicos e envolve alterações interdependentes da bioenergética mitocondrial, do equilíbrio redox, da proteostase e da resposta neuroimune. O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão sistemática qualitativa com síntese narrativa, as interações entre neuroinflamação e metabolismo mitocondrial na doença de Parkinson e suas implicações para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas inovadoras. Foram examinadas evidências clínicas e translacionais referentes à deficiência da cadeia respiratória, produção de espécies reativas de oxigênio, dinâmica mitocondrial, mitofagia mediada por PINK1/Parkin, ativação microglial, inflamassoma NLRP3 e agregação de α-sinucleína, bem como ensaios envolvendo intervenções antioxidantes e metabólicas. A literatura sustenta um modelo bidirecional no qual mitocôndrias disfuncionais favorecem a liberação de sinais de perigo e a ativação da imunidade inata, enquanto a inflamação persistente intensifica estresse oxidativo e comprometimento bioenergético. A α-sinucleína participa desse circuito ao interferir em funções mitocondriais e estimular mecanismos inflamatórios. Apesar da robusta plausibilidade fisiopatológica, a tradução terapêutica permanece limitada: ensaios com coenzima Q10 e elevação de urato não demonstraram modificação clínica da progressão, enquanto agonistas do receptor de GLP-1 produziram resultados ainda não conclusivos. Estratégias direcionadas à mitofagia e ao inflamassoma NLRP3 apresentam forte racional pré-clínico, porém carecem de confirmação clínica. Conclui-se que futuras terapias modificadoras provavelmente dependerão da identificação de endótipos biológicos, do emprego de biomarcadores e da combinação racional de intervenções dirigidas a diferentes componentes da rede neuroinflamatória e metabólica.